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Desoculto nocturno é abordagem de várias questões: Ora surgindo desnudado à luz do grande leão dos céus, ora sob o manto diáfono da noite, festejando a princesa das trevas, em peregrinações, onde o piar dos mochos e o grito das raposas, são as únicas vozes que quebram o silêncio milenar de canadas e penedias, nas quais ritos e mistérios ancestrais, ainda vagueiam à solta - Envergando várias túnicas, desdobrando-me em múltiplas personagens - Ou é privilégio do poeta dos heterónimos, que só discorreu à mesa dum café ou acastelado em sua“aldeia”?..Sei que posso correr o risco de não ser tomado a sério: mas que fazer? . - Dizia-se de Florbela Espanca, que os poetas e os profetas “usam disfarces que os tornam semelhantes a tudo o que os cerca”- Quando criei este site, foi apenas a pensar nos chamados fenómenos do mundo paranormal: relatos pessoais, consequência da minha adolescência, em sabates noturnos?!.. Ou fruto de solitárias e longas experiências marítimas em calmos e tempestuosos mares?!.. Estas as interrogações que pretendi aqui abordar. Afinal, cedo constatei ser-me difícil passar indiferente à análise e à reflexão, ocasionalmente, de outros fenómenos e temas da actualidade

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Alfredo Barroso"corrido" da SIC - Soarismo em vias de extinção - José Manuel dos Santos, saneado do Expresso - qualquer dia vai o João

JÁ MANDARAM CALAR MÁRIO SOARES, AGORA VÃO POR ATACADO OS SOARISTAS

A SIC de Francisco Balsemão - através de um dos maiores hipócritas, António José Teixeira,  estilo jesuíta do tempo da inquisição, sacode Alfredo Barroso, como quem sacode o chapéu da chuva  - Por outro lado, também se diz que há por lá um grande reboliço, devido à queda da popularidade do Governo (pois qual não é também o jornalista que hoje não sofre?) e há  que impor alguma ordem  na liberdade mais rebelde e às vozes mais incómodas - É que, Alfredo Barroso, não é o António "Barrete"

Sobrinho por parte da mulher,  foi chefe da Casa Civil de Mário Soares, fundador do PS, deputado, secretário de Estado, administrador do S. Carlos. É comentador televisivo, escreve em jornais.  Foi sacudido da SIC - A partir de hoje deixa de ser a voz incómoda aos discípulos do  liberalismo que está a destruir a Europa solidária, que nos destrói a nós e vai destruindo todo o mundo

 Alfredo Barroso também não escapa  aos seus pecadilhos vaidosos - E o sobrinho parece não ter perdoado ao ex-presidente da República  ter "ignorado o facto de ter sido o seu "colaborador mais próximo" em Belém no último livro, "Um Político Assume-se". Em dois e-mails dirigidos a um grupo restrito de pessoas" DN - Contudo, era dos poucos comentadores (da área socialista), que  as Televisões convidam para opinadores, que até ia fazendo cair algumas máscaras e tirando algum fôlego  aos oponentes nos debates a  dois. 

 Alfredo Barroso diz que foi "corrido" da SIC Notícias - Quando ele criticava Sócrates, ainda o toleravam; agora a criticar Passos, já não podem com ele.

Revela hoje o Diário de Notícias, que "Alfredo Barroso está fora de Frente a Frente, o programa de análise política da SIC Notícas. O socialista revela que foi António José Teixeira, diretor do canal, que lhe telefonou para dispensar a sua participação. "Foi ele que correu comigo, ainda que diga que é muito meu amigo", disse ao DN.pt.

O político acrescenta que António José Teixeira alegou que "chegou a altura da renovação" no programa da SIC Notícias para justificar a decisão. "Disse-me ainda que não podia continuar a pagar os 150 euros por participação e que a partir de agora teria de ser em regime de voluntariado. Porém, teve o cuidado de não me perguntar se eu queria continuar como voluntário".


 O LIVRO NÃO AGRADOU AOS LIBERAIS QUE GOSTAM DE APITAR PELO MESMO APITO E TAMBÉM A ALGUNS SECTORES   DO PS - MAS ATÉ NEM TERÁ SIDO O LIVRO QUE MAIS INCOMODOU OS TEIXEIRAS E OS COSTAS


"Quebrar o unanimismo e redinamizar a esquerda. Para isso escreve o que pensa sobre a actual crise, as razões dela e os possíveis caminhos de futuro. O Presidente Cavaco Silva é um dos principais visados.BLICO,.Alfredo Barroso lança livro contra o unanimismo e pelo debate  à esquerda

O LIVRO É UMA LUFADA MAS NÃO FAZ A MESMA MOSSA - OS COMENTÁRIOS  ERAM SEMPRE DEMOLIDORES.



JESUÍTAS DO TEMPLO NÃO TÊM MÃOS A MEDIR
 
É que, por detrás do jesuíta António José Teixeira, está um super-controlador ainda mais sinistro  - Um tal Ricardo Costa que também já havia saneado, do semanário Expresso, outra figura soarista - José Manuel dos Santos, personalidade culta e muito discreta, excelente colaborador da área cultural - Substituído por um tal  Pedro Mexia, poeta, escritor, publicista, subdirector da Cinemateca Nacional,  com lugar cativo em tudo quanto é jornais, rádios e televisões - Pelos vistos, os Mexias, são uns felizardos! - "Não gosto do mundo literário nem de escritores enquanto pessoas" - O rapaz é muito religioso e muito conservador, muito miocénico e muito liberal. Por isso mesmo, dizem as más línguas que o "poeta" "nom trôpego" só  gosta dele e dos amigos que lhe enchem os bolsos.  Quem não pertencer à tribo está fudido.  

 Pedro Mexia: "Sou conservador, ma non troppo"

"Escolheu ser Pedro Mexia, o apelido da mãe, uma professora universitária. Não quis ser Pedro Chorão, filho do escritor e ex-director da editora Verbo, João Bigotte Chorão. Tudo porque percebeu que o nome não funcionava para um escritorLer mais: http://expresso.sapo.pt/pedro-mexia-sou-conservador-ima-non-trop

 MEXILHAU ATÉ TEM PIADA!...PARIDO  DOIS ANOS ANTES DO 25 DE ABRIL,




FILHO DE BIGOTHE CHORÃO - O RAPAZ ATÉ É BEM PARECIDO 


Admiro  o escritor e a obra de  João Bigotte Chorão  - De exemplar conduta cívica e cultural. Nos dotes de orador  - num português de gema e bem falante -  -Admiro-o como pessoa e a sua escrita - Não me identifico porém com o seu apego ao Salazarismo - Se bem que, os actuais políticos  da área liberal, sejam mil vezes mais desonestos de que o nativo de Santa Comba Dão. Conheço-o pessoalmente e  também, no Sabugal,  o solar da família com brasão.Tenho um  livro autografado por ele, nos anos 80, quando me recebeu na sua residência em Lisboa.   - Mas não leio  nem ouço Pedro Mexia -Claro que  não é parvo nenhum - o rapaz é inteligente - nada me move  contra ele.  Já o tenho visto sentado na esplanada da Brasileira do Chiado: - ele lá está na sua  e eu lá vou à minha.


OS TEMPOS SÃO OUTROS  .




No império da impresa de Francisco Balsemão, o mau da fita, até nem é Balsemão  - Enquanto ele viver, o jornalismo ainda mexe e não estrabuchará de todo. Houvesse mais como ele.  São  os oportunismos dos que estão a léguas da sua experiência política e jornalística, que querem ser mais papistas de que o Papa de Roma. - Em todo o caso, certamente que já  lá vai o tempo em que, Francisco Balsemão, sorria a Mário Soares, como duros combatentes, cada qual nas suas barricadas, ambos curtindo uma espécie de mútuo beija-mão.    

MÁRIO! POR QUE NÃO TE CALAS?!..

"A JSD devolve as críticas que Mário Soares fez na carta aberta, em que o ex-primeiro-ministro pedia a Passos Coelho que mude de política ou que se demita.(..)Por que não te calas?’", lê-se na carta divulgada, em que a JSD também pede a Soares.JSD pergunta a Mário Soares: "Por que não te calas?

Mário Soares, embora extremamente lúcido, está velho e, há uns dias, até foi internado num hospital, devido a uma valente constipação - Além disso, deixou de ser a referência que podia unir os socialistas ao chamado bloco central - Passou a ser a voz mais  activa e militante contra a política do actual governo da coligação PSD-CDS, e estas coisas, senão magoam, fazem alguma comichão - Daí o  dizer-se que o querido soarismo, que a direita estimava, além de já não  ser tolerado, dir-se-á que  a sua presença nos media, está em vias de extinção -Num destes dia, lá vai o João Soares borda fora.  Mesmo o Alexandre dos Santos, que chegou a apontar Mário Soares  como um dos grandes líderes portugueses, na entrevista que concedeu ao Expresso, no passado Sábado, já não tem a certeza, aponta-o com um talvez - 




Era uma jarra emoldurada no extremo do mais puro fascínio e abstracção plantada sobre a pedra e o verde espelho do arvoredo, que o olhar discreto, dum horizonte de intangível brancura e luminosidade, contemplava à ilharga.

JOSÉ MANUEL DOS SANTOS - SANEADO EM FEVEREIRO 2012  VAI PARA UM ANO


José Manuel dos Santos

 Sexta feira, 25 de Fevereiro de 2011

"Neste tempo megalómano e exibicionista, em que todos procuram uma insaciada auto estima e já não parece haver lugar para a subtileza, a compaixão e a cortesia, convém mantermos o sentido da memória e da medida.


No próximo sábado - e por uma decisão que não foi minha - já não aparecerá aqui esta crónica semanal. Os que a procurarem encontrarão, em vez dela, uma ausência que lhes dirá a gratidão por estes anos em que olhámos as ilusões e as desilusões de um tempo que não começou ontem nem terminará amanhã. Tudo vem de mais longe e vai para mais longe do que suspeitam aqueles para quem a origem do mundo está na data do seu nascimento. A todos os que se tornaram meus leitores - e alguns, por isso, leitores do Expresso - entrego o meu reconhecimento com uma mão que acena, sabendo que uma despedida pode não ser um fim. As palavras que acabam são como os mortos que não morrem nos fantasmas em que vivem para inquietar os vivos. 

Nestas crónicas, falei muito do que se fala pouco e falei pouco do que se fala muito. Falei do que é meu como se fosse dos outros e do que é dos outros como se fosse meu. Quis lembrar que, no mundo, não há só vencedores, pragmáticos, comunicadores, gestores, milionários, famosos, neoliberais, conformistas, contentinhos, poder, ruído, multidões, mais-valias, televisões, best sellers, condomínios fechados. Que há também vencidos, tímidos, desempregados, imigrantes, pobres, vagabundos, mendigos, doidos, poetas, idealistas, rebeldes, doentes, velhos, melancólicos, anarquistas, liberdade, silêncio, solidão, sabedoria, tiragens pequenas, bairros populares. Fiz da indignação uma serenidade. Recusei a crueldade que usa a máscara da eficácia. Tentei, em vez da rapidez de uma opinião, a lentidão de um pensamento. Procurei falar de uma grandeza que dá ao homem o direito a usar um nome que não o envergonhe. E sei bem de que grandeza falo, pois encontro-a nas palavras de Albert Camus: "No segredo do meu coração não me sinto em estado de humildade senão perante as vidas mais pobres ou as grandes aventuras do espírito humano. Entre as duas, encontra-se hoje uma sociedade que dá vontade de rir." 
Este é o mundo que fez de "A Sociedade do Espectáculo" (Guy Debord) o seu livro de estilo: "Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção anuncia-se como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido afastou-se numa representação". Nele, o cronista é um Fernão Lopes da sua perplexidade. Hoje, o jornalismo vive sobre o abismo, e ter disso a incómoda consciência é prevenir a queda nele. Mas há os que desviam o olhar do chão que lhes foge debaixo dos pés, avançando numa fuga para a frente de que ficará apenas o rasto de um desastre que lhes parece um êxito.
(...)
Neste tempo megalómano e exibicionista, em que todos procuram uma insaciada autoestima e já não parece haver lugar para a subtileza, a compaixão e a cortesia, convém mantermos o sentido da memória e da medida. Sempre soube que, em mim, para cada abundância há uma escassez. Aprendi cedo a admirar o que é grande e os que são grandes (mesmo que tenham vivido no século V antes de Cristo) para não reconhecer logo o que é pequeno. E o que vejo por aí é uma pequenez alucinada e convencida da sua grandeza inexistente. Por isso, não há melhores palavras para dizer este tempo e este modo do que as que Lampedusa deu ao príncipe de Salina: "Nós fomos os Leopardos, os Leões; os que vêm são os chacais, as hienas." É com o sangue dos outros que eles alimentam a vaidade que lhes impede de ver a vulgaridade e o vazio que os faz ser o que são. 
Agora, olho o céu e a sua luz desfeita. Há um raio que entra e cai sobre a capa de um velho livro onde se fala do "amor que move o sol e as outras estrelas". E isso torna a minha vida feliz. Dedico esta última crónica ao Henrique Monteiro e ao Fernando Diogo, que me convidaram a escrever no Expresso).Despedida colaborador regular do "Atual" Texto publicado na revista Atual de 19 de fevereiro de 2011.Ler mais: http://expresso.sapo.pt/jose-manuel-dos-santos

Domingo, Fevereiro 20, 2011 José Manuel dos Santos

"Há meses e meses que adio uma referência a José Manuel dos Santos, até ontem cronista da Actual, do Expresso. Porque gostava mesmo de o ler. Porque escrevia em contra-corrente ou, melhor dizendo, fora da corrente. Escrevia sobre coisas que ninguém escreve num jornal, sobretudo homens. De coisas simples. Parecia que pairava fora do mundo embora tudo aquilo fosse também mundo, e muito do nosso.  Nunca o vi citado em lado nenhum, a ele que sempre citava os melhores escritores, e sempre achei que era apenas pelo medo de a citação poder denunciar a eventual identificação de quem a pudesse citar. Ele expunha-se nas crónicas sem se despir, equilíbrio raro, e exercício raríssimo num mundo em que é muito mais fácil escrever como se nunca nada tivesse também a ver connosco. É muito mais fácil escrever de dedo em riste, sentado em cima do mapa-mundo e depois voltar, sossegado e impermeável, para casa. É sempre mais fácil escrever sobre os outros. - Excerto de coriscos: José Manuel dos Santos

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